SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM - TEXTO: "PAUSA" de MOACYR SCLIAR
PÚBLICO ALVO: 8º ANO.
OBJETIVO: ativar o conhecimento prévio do aluno; levantar e checar hipóteses; praticar a sequência do enredo; identificar elementos temporais; fazer inferências e intertextualidade.
1) Antes da leitura do texto, observe o verbete:
Pausa: sf. Interrupção temporária; intervalo.
De acordo com a definição apresentada, quais as expectativas de leitura o título oferece? Em que você gostaria de dar uma pausa em sua rotina?
2) Você já conhecia as palavras cais, guindaste e barcaça? Caso não as conheça pesquise seus significados em um dicionário. A qual local essas palavras nos remetem?
3) Localize no texto um trecho que indica uma atividade rotineira, que faz parte do nosso cotidiano.
4) A partir do momento em que Samuel estaciona o carro até o momento em que afrouxa a gravata, há uma sequência de ações que leva o leitor a imaginar determinada situação. Que situação seria essa?
5) Assinale a alternativa que não nos remete ao passado:
a) Tirou do bolso um despertador de viagem e deu corda.
b) Jornaleiros gritavam nas ruas.
c) Duas mulheres usavam um chambre floreado.
d) Estacionou o carro numa travessa quieta.
6) Reescreva o trecho abaixo substituindo os termos grifados por outros que tenham o mesmo significado:
“Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:
_ Aqui, meu bem! – uma gritou, e riu: um cacarejo curto.”
7) Após a leitura do texto, explique se ele correspondeu às suas expectativas.
8) A personagem tinha o hábito de ir ao hotel todos os domingos para descansar. Na sua opinião, o que levou Samuel a fazer isso? Justifique sua resposta
9) A atitude da personagem foi correta? Justifique sua resposta.
(atividade elaborada por professores da turma 2 - grupo 5 - curso presencial em 13 mai 2013. Disponível em: <http://debiriguiprofessores.blogspot.com.br/2013/05/situacao-de-aprendizagem-do-texto-pausa_13.html>)
TEXTO:
(Pausa
“Às sete horas o despertador
tocou”. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se. Vestiu-se
rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher
apareceu, bocejando:
—Vais sair de novo, Samuel?
Fez que sim com a cabeça. Embora
jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora
recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara
escura.
— Todos os domingos tu sais cedo
— observou a mulher com azedume na voz.
— Temos muito trabalho no
escritório — disse o marido, secamente.
Ela olhou os sanduíches:
—Por que não vens almoçar?
— Já te disse: muito trabalho.
Não há tempo. Levo um lanche.
A mulher coçava a axila
esquerda. Antes que voltasse à carga, Samuel pegou o chapéu:
—Volto de noite.
As ruas ainda estavam úmidas de
cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente, ao longo do
cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas.
Estacionou
o carro numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço,
caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e
sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no
balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o
gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé.
—Ah! Seu Isidoro! Chegou mais
cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...
—Estou compressa, seu Raul!—atalhou
Samuel.
— Está bem, não vou atrapalhar.
O de sempre. — Estendeu a chave.
Samuel subiu quatro lanços de uma
escada vacilante.
Ao chegar ao último andar, duas
mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:
—Aqui, meu bem!—uma gritou, e
riu: um cacarejo curto.
Ofegante, Samuel entrou no
quarto e fechou a porta à chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um
guarda-roupa de pinho; a um canto, uma bacia cheia d'água, sobre um tripé.
Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem,
deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.
Puxou a colcha e examinou os
lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou
a gravata. Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos
no papel de embrulho, deitou-se e fechou os olhos.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá em baixo, acidade
começava a mover-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.
Um raio de sol filtrou-se pela
cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido.
Samuel dormia; sonhava. Nu, corria
por uma planície imensa, perseguido por índio montado a cavalo. No quarto
abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale
entre as pernas, corriam.
Samuel mexia-se e resmungava. Às
duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama,
os olhos esbugalhados: o índio acabava de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se
em sangue, molhado de suor, Samuel tombou lentamente; ouviu o apito soturno de um
vapor. Depois, silêncio.
Às sete horas o despertador
tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, lavou-se. Vestiu-se
rapidamente e saiu.
Sentado numa poltrona, o gerente
lia uma revista.
—Já vai, seu Isidoro?
— Já — disse Samuel, entregando
a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.
—Até domingo que vem, seu Isidoro—disse
o gerente.
—Não sei se virei—respondeu
Samuel, olhando pela porta; a noite caía.
— O senhor diz isto, mas volta
sempre — observou o homem, rindo. Samuel saiu.
Ao longo do cais, guiava
lentamente. Parou, um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o
céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa."
SCLIAR,
Moacyr.In:BOSI,Alfredo.Oconto brasileiro contemporâneo. SãoPaulo:
Cutrix,1997
INTERTEXTUALIDADE - MÚSICA: COTIDIANO (Chico Buarque)
Depois da leitura do texto escute a música e responda as questões abaixo.
1) Em que a letra se assemelha com o tema do conto?
2) As personagens expressam as mesmas atitudes e sentimentos com relação à rotina?
3) Como é o comportamento da mulher do conto e da música? Elas tem atitudes semelhantes? Justifique sua resposta.
(atividade adaptada disponível em http://mgmeg3.blogspot.com.br/2013/05/situacao-de-aprendizagem-texto-pausa-de.html:

Nenhum comentário:
Postar um comentário